Os Povos Pré-Colombianos

OS MAIAS:

Em 700 a.C., aproximadamente, outra importante cidade surgiria na península de lucatã, situada entre a América do norte e a América central: a dos Maias. Durante o período de sua formação essa

sociedade herdou vários elementos das culturas dos povos que habitavam a região, como os olmecas Por volta de 317 de nossa era os maias já ocupavam extensas regiões do que conhecemos hoje como México, Honduras e Guatemala.

A sociedade maia destacou-se, entre outros aspectos, por uma forma de organização política original: ela se desenvolveu em torno de centros urbanos autônomos, ligados por relativa unidade cultural, sem, no entanto constituir-se num império centralizado. Com o tempo os mais ergueriam numerosas cidades, como Palenque, Yaxchilán, Tikal, Copán, Piedras Negras,Uxmal, Labná, entre outras. O período áureo dessa sociedade ocorreu entre 1000 e 1400. -Nessa fase, o centro da península de lucatã foi ocupado por outro povo, os toltecas, que ai fundou a cidade de Chichén Itza. Essa ocupação acabou resultando na fusão das culturas maia e tolteca.

RELIGIOSIDADE:

Extremamente religiosos, os Maias construíram suas cidades em volta de um núcleo formado por templos, pirâmides e palácios. As cidades-estado se caracterizavam por centro religiosos, onde somente as pessoas mais ricas moravam as proximidades. A religião era um traço marcante em toda sociedade maia. Acreditavam que a vida era dirigida por deuses, que eram cultuados em grandes templos. A maior parte dos deuses era representada por elementos da natureza como o sol, a chuva ou o vento, mas acreditavam em um deus criador do mundo que eles chamavam de Hunab.

ORGINAZAÇÃO SOCIAL

Cada cidade era gerida por um hala vinic, que governava em nome de um dos deuses da religião maia, constituindo uma teocracia. A sucessão ocorria numa mesma família, com o poder passando de pai para filho segundo o direito da primogenitura. O halac vinic concentrava todos os poderes: religioso, militar e civil. Era quem escolhia, entre os membros da aristocracia, os funcionários que o auxiliavam na administração da cidade. Esses homens de confiança comandavam os soldados, presidiam o conselho local, aplicavam a justiça e controlavam o pagamento de impostos. Além dessas atribuições, ainda cuidavam do cultivo dos campos nas épocas indicadas pelos sacerdotes. Temidos e respeitados, os sacerdotes, por sua vez, desempenhavam funções particularmente importantes: presidiam os cultos e as cerimônias religiosas e dirigiam toda vida intelectual da sociedade. Entre eles haviam astrônomos, matemáticos, adivinhos e administradores.

A estrutura social se caracterizava pela existência de camadas rigidamente separadas, entre as quais não havia mobilidade social. Na esfera mais alta da sociedade, estava o halac vinic e seus familiares. Logo abaixo, vinha a nobreza, que distribuía entre si os cargos religiosos, administrativos e militares. Também faziam parte desse grupo os comerciantes de maior prestígio. No plano imediatamente inferior, desempenhando diversas funções na escala social, encontravam-se os guerreiros, funcionários, artistas e artesãos. A seguir a parcela mais numerosa da população formada por trabalhadores agrícolas, denominados mazehualob e os demais trabalhadores livres, encarregados de cultivar a terra, erguer construções, prestar serviço militar, pagar impostos e fazer oferendas aos deuses. Por último vinham os escravos, geralmente prisioneiros de guerra ou pessoas condenadas por roubo.

ATIVIDADES ECONÔMICAS

Os maias desenvolveram uma economia diversificada, de base agrícola, o milho, considerado alimento sagrado, era sua principal fonte de subsistência, dotada de uma complexa rede de trocas comerciais. Fazendo permuta com seus produtos minerais agrícolas e artesanais, eles adquiriam de outras regiões os bens de que necessitavam, como blocos de pedra, silex para confeccionar armas e ferramentas, pigmentos minerais, destinados principalmente à cerâmica e à pintura, e outros. Nas trocas comerciais utilizavam, muitas vezes, sementes de cacau como moeda.

DESENVOLVIMENTO CULTURAL

Sabe-se que os maias criaram uma espécie de escrita hieroglífica, mas seus manuscritos foram quase todos destruídos durante a conquista espanhola Restaram apenas alguns tratados sobre a astronomia, astrologia e ritos religiosos. Sabe-se também que, após a conquista, os nativos redigiram algumas crônicas em língua espanhola, preservando parte da tradição maia.

No campo da astronomia os maias se destacaram por desenvolver conhecimentos precisos e complexos sobre a duração do ano e trajetória dos astros. E aplicaram esses dados na criação de dois calendários: um ritual e sagrado de 260 dias, dividido em 13 grupos de 20 dias; e outro solar, para uso da sociedade - de 365 dias, agrupado em 18 meses de 20 dias, mais um período de 5 dias. Para fazer suas contas, os maias inventaram também um sistema engenhoso de cálculo com base no número 20 e desenvolveram conceito de valor zero (na verdade, um símbolo cujo significado era ausência de valor)

No campo da metalurgia eles dominavam técnica de obtenção e manipulação de ouro e cobre, mas só empregavam esses materiais para fins ornamentais. Indiscutivelmente, os maias foram notáveis em diversos campos do saber, mas dois aspectos chamam atenção ao estudarmos essa sociedade. Eles não utilizam nenhum animal de tração ou montaria; por isso os meios de transporte e o trabalho dependiam da força humana desconheciam a roda e o torno, o que restringia sua ação sobre a natureza. Essa limitação, contudo, não impediu que construíssem uma das mais avançadas sociedades da América pré-colombiana.

OS INCAS

Os incas formaram um vasto império que ocupava as regiões que hoje correspondem à Bolívia, ao Peru, ao Equador, parte do Chile, chegando até a Argentina. As terras incas iam dos Andes até a região litorânea, cujo centro era a cidade de Cuzco. Acredita-se que nessa época, dentro de suas fronteiras viviam cerca de 10 milhões de pessoas.

Os incas aparecem tardiamente na historia dos povos andinos. Não há consenso entre os historiadores sobre suas origens. É possível que eles fossem um dos grupos que compunha o povo quíchua, cujo idioma era falado numa ampla região dos Andes, A tradição inca atribuía a um de seus ancestrais. Manco Capac, o papel de fundador do Império. Ele e seus sucessores passaram a adotar astuto de Inca, nome de uma antiga divindade andina. Os incas assim como os astecas eram um povo imperialista, a partir de 1463 subjugaram a sociedade chimu, que controlava o litoral, os caras (Equador)e os aimarás, nas margens do lago Titicaca e outros povos mais.

Um de seus governantes mais importantes foi Tupae Yupanqui, que criou um serviço mensageiro que ligava as diversas partes do império e Estruturou uma burocracia e (Manco Capac, o fundador) um exército capazes de manter o controle inça sobre grande parte dos Andes. Yupanqui morreu em 1493, um ano depois que Colombo chegou na América. Seu filho e sucessor Huayna Capac, governou até 1528. Durante mais de trinta anos Huayna enfrentou prolongadas guerras na fronteira do norte. Ao morrer, o trono passou a ser disputado por Huascar e Atahualpa, dois de seus filhos. Essa divisão facilitava mais tarde a invasão do Império.

RELIGIOSIDADE

Os inças eram politeístas, e adoravam várias divindades. Deificavam a natureza, o Sol era o principal deus. Havia profecias que diziam que um deus, viracocha, que um dia sumiu ao banhar-se no mar, voltaria, coincidindo com a chegada dos europeus, o período previsto na profecia. Os espanhóis foram confundidos com esse deus.

ORGANIZAÇÃO DO IMPÉRIO

Os incas tinham um governo forte e centralizado. A sucessão no poder se dava na família do governante, mas o herdeiro não era necessariamente filho do Inca, e sim o parente considerado o mais capaz de assumir o cargo. Por isso ao final de cada governo, havia grandes disputas entre os herdeiros. Uma vez vitorioso, o novo Inca comparecia ao Templo do Sol, onde era entronizado. Investido de poderes exclusivos ninguém podia encará-lo. No inicio, os incas eram vistos como filhos do Sol, Mas Huayna Capac, por exemplo, se fez conhecer como a própria encarnação do Sol e foi adorado como deus vivo. O Estado inça por tanto constituía uma teocracia.

O território do Império inca era dividido em quatro partes por duas linhas imaginárias que se cruzavam no centro da capital Cuzco, a qual, acreditavam ser o "umbigo do mundo". Havia funcionários que cuidavam de cada uma das quatro unidades. O Império inca contava com uma vasta rede de estradas e pontes cuja extensão chegava a 16 mil Km. O Império era dotado de um eficiente serviço de comunicações, que permitia não somente enviar e receia mensagens rapidamente, como deslocar tropas com relativa velocidade para qualquer parte do território.

ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA

A agricultura, principal base econômica, dependia em boa parte dos terraços construídos nas encostas da cordilheira e de um sistema de canais para transportar água de fontes muitas vezes localizadas a quilômetros de distancia. Os inças cultivavam mais de 40 espécies de vegetais, entre eles, abóbora, vagem, algodão, milho, batata, mandioca, etc. A maioria da população era formada por camponeses, agrupados em comunidades chamadas ayllu, a célula básica da sociedade inca. Cada comunidade tinha seu líder, o curaca, responsável pela distribuição de terras, pela organização dos trabalhos coletivos e pela resolução de conflitos. A terra era propriedade do Inca, que, por meio

dos curacas, a entregava as famílias para cultivo. Cada casal ao se constituir recebia um lote. As terras destinadas ao pastoreio, porém eram usadas coletivamente. Nelas criavam-se animais como a lhama, usado como meio de transporte. Explorando ao mesmo tempo a agricultura, o pastoreio e o artesanato, as comunidades inças eram praticamente auto-suficientes. E importante saber que no Império inça, não se praticava o comércio nem havia moedas.

O TRABALHO

A escravidão não era praticada entre os incas, mas havia os chamados "dependentes perpétuos" (yana), ligados aos curacas e o Inca. Eles não podiam ser trocados ou vendidos, como os escravos, e tinham importância econômica secundária. No entanto, seguiam a mito, uma espécie de prestação de trabalho obrigatória ao curaca e aos deuses locais, revestida de caráter religioso. Depois essa obrigação passou a ser prestada ao Inça, o Filho do Sol. A mita recaía sobre todas as pessoas casadas, que deveriam cuidar das terras e dos rebanhos do Inca e ainda desempenhavam funções no exército, nas oficinas de trabalhos artesanais, na construção de estradas, pontes e edifícios. Havia uma preocupação em alcançar números de trabalhadores, para esses serviços. Para isso os funcionários reais faziam uso de um instrumento denominado quipo, formado por Gordinhas de diferentes cores e com vários tipos de nós.

ATIVIDADES CULTURAIS E TÉCNICAS

Os inças diferentemente dos povos da Meso-américa, não criaram uma escrita formal. O quipo desenvolvido por eles era eficiente, mas tratava-se de um sistema de contabilidade. Sua tradição cultural era transmitida oralmente, tarefa reservada aos chamados amawta, cujos relatos serviram de matéria-prima para crônicas registradas depois que os espanhóis introduziram a escrita entre eles. O calendário inça era dividia o ano em 12 meses. No entanto, apresentava curiosa particularidade: enquanto o ano era solar, os meses eram lunares, o que ocasionava a diferença de alguns dias entre os dois cômputos.

Os incas dominavam perfeitamente as técnicas de obtenção do bronze e do ouro e da platina, na ourivesaria eram os melhores. Conheciam o ferro, a roda e o torno. Então na confecção de armas usavam a pedra. Com esse arsenal técnico, a sociedade inça construiu um império dotado de cidades, palácios, templos, estradas e estruturas administrativas, que provocou a admiração dos espanhóis e despertando sua cobiça por metais preciosos.

INVASÃO ESPANHOLA

Apesar da grandiosidade de seu império, a sociedade inca acabou se revelando muito frágil diante do invasor espanhol. Para isso contribuiu o descontentamento dos povos subjugados pelo Império que acabaram se aliando aos invasores. Outro fator de fragilização foi a disputa do poder entre os irmãos Huáscar e Atahualpa depois da morte de Huyana Capac, em 1528. A luta ainda prosseguia em 1532, quando os espanhóis, chefiados por Francisco Pizarro, chegaram a região. A resistência inca durou 40 anos e só foi vencida em 1572, com o assassinato de seu último governante, Tupac Amaru. Assim, chegava ao fim o Tawantisuyu, o Império Inca. Antes dessa data, porém, o território já havia sido incorporado pela administração espanhola, construindo o Vice-Reino do Peru.

ASTECAS:

Os astecas, também chamados de mexica viviam originalmente no noroeste do México atual, numa região conhecida como Aztlán, da qual derivou seu nome. No século XIV da nossa era, provavelmente por terem sido expulsos de seu território por povos inimigos, eles foram obrigados a se deslocar para o planalto central do México. No novo espaço tornaram-se agricultores, sem perder os hábitos guerreiros, pois se viam constantemente envolvidos em disputas pelas reservas de água potável e pelas áreas de cultivo com as populações vizinhas. Sob influência de outras culturas existentes na Meso-américa, os astecas desenvolveram técnicas próprias de plantio do milho, a escrita, a arte e as práticas religiosas. Em 1325, eles passaram a ocupar o conjunto de ilhas de Texcoco e construíram numa delas sua principal cidade, Tecochtitán (atual cidade do México).

Com o tempo, a cidade foi dotada de um complexo sistema de ruas, pontes e canais. As disputas com outros povos pela posse do território e a necessidade de realizar obras para a prática da agricultura, como a drenagem dos pântanos, conduziram, aos poucos, à concentração do poder em três das principais cidades da região: Texcoco, Tlacopán e Tenochtitlán. Essas cidades controlavam diversos povos que habitavam as áreas situadas entre o golfo do México e o Oceano Pacífico, e recebiam tributos das populações subjugadas. Por volta de 1440, quando teve início o governo de Montezuma I em Tenochtitlán, estima-se que esse verdadeiro império somava cerca de 15 milhões de habitantes.

RELIGIOSIDADE:

Como os demais pré-colombianos, os astecas também eram politeístas. Seus deuses principais constituíam forças da natureza, geralmente identificados com os astros. A divindade maior, inspirada no Sol, era Hutzilopochtili, deus da guerra. Em sua homenagem, os astecas construíram a principal pirâmide de Tenocgititlán, e em sua honra faziam numerosos sacrifícios humanos. A segunda em importância era a deusa Texcatilipoca. Protetora dos guerreiros dos escravos. Outros deuses cultuados eram Tlaloc, deus da chuva, a quem se atribuía à invenção da escrita, do calendário e das artes. Além de suas próprias divindades os astecas adotavam também a de outros povos dominados. Os astecas acreditavam muito de que, sem o sangue humano (a “água preciosa”) oferecido ao Sol, a engrenagem do mundo deixaria de funcionar. Por isso, procuravam manter um “estoque” de prisioneiros destinados aos sacrifícios. Essa era uma de suas justificativas para que a guerra. Eles achavam que depois de morto, o sacrificado ia morar no céu, nas salas da casa do Sol, para onde também eram conduzidos os guerreiros mortos em combate. Também foi a crença na volta de certos deuses que fez com que os astecas vissem sem desconfiança a chegada dos espanhóis.

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL:

Entre os astecas, a autoridade máxima era exercida por um monarca denominado Tlatoani. Também devido as guerras constantes, os militares ocupavam lugar de destaque na hierarquia social. Vejamos a seguir como se compunha a sociedade: Os escravos ocupavam o plano mais baixo da escala social. Eram geralmente prisioneiros de guerra, criminosos condenados pela justiça e pessoas que não conseguiram pagar suas dívidas. Curiosamente eles podiam ser donos de terra e possuir outros bens, até mesmo outros escravos, também não eram proibidos que casassem com pessoas livres e seus filhos nasciam livres.

Durante sua vida, os escravos tinham muitas oportunidades de conseguir a liberdade; Acima dos escravos estava o maceulli, que era o membro do clã, ou capulli. A ele cabia prestar o serviço militar e pagar impostos, assim como trabalhar em obras coletivas como a construção de estradas e canais. Em plano superior aos maceulli encontravam-se os artesãos e comerciantes. A sociedade asteca tinha grande respeito pelo trabalho do artífice, que se dedicava ais ofícios de ourivesaria, joalheria entre outros. Os artesãos agrupavam-se em corporações extremamente fechadas: moravam em bairros especiais e tinham festas, ritos e deuses próprios. O ofício era transmitido de geração em geração, dentro da mesma família. Os pochtecas, grandes comerciantes também faziam parte de uma corporação. Cuidavam do comercio praticado com regiões distantes, com o tempo eles se transformaram em um grupo poderoso em ascensão no império asteca. Seus filhos também passaram a freqüentar o calmecac, um tipo de escola reservada à aristocracia;

No topo da organização social estavam os sacerdotes, os dignitários civis e militares. Eles formavam a aristocracia. Os sacerdotes, por exemplo, presidiam os cultos religiosos e tinham sob sua responsabilidade a educação dos filhos dos dignitários nos calmecac. A direção dos hospitais, a guarda dos livros sagrados e manuscritos históricos. Graças as doações acumulavam grandes riquezas. Além do prestígio social que desfrutavam, não pagavam impostos, e as vezes integravam voluntariamente o exército; O soberano era eleito, sempre numa mesma família, por um conselho de 100 membros entre militares e sacerdotes. Atribuía-se a ele origem divina e esperava-se que prestasse homenagem aos deuses e protegesse a população orientando-a moralmente. Por exemplo, contra embriagues e o roubo. O soberano era auxiliado por uma espécie de chefe de governo e por uma hierarquia de funcionários.

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